Reportagem – “Antuérpia, uma cidade para jovens”
Antuérpia, Bélgica. Cidade conhecida pelos seus diamantes, pela moda e pela sua história. Situada à beira do rio Schelde foi, em tempos, uma das mais importantes cidades portuárias e um dos grandes centros de negócios da Europa. Actualmente, contém um dos três mais importantes portos fluviais da região do Benelux. Esta pequena metrópole é a maior cidade da região belga, Flanders, e um grande centro económico do país, que proporciona diversas oportunidades aos habitantes jovens ou aos que para ela imigram.
Para quem visita a Bélgica, Antuérpia é uma paragem obrigatória. Com uma arquitectura do século XV, a cidade convida a um passeio pelas ruas do centro terminando com uma caminhada à beira rio. Apesar da sua importância económica e cultural, Antuérpia tem a dimensão apropriada para que possa ser visitada sem se recorrer a transportes públicos. No primeiro contacto que temos com a cidade, Antuérpia mostra um dos seus trunfos: a Estação Central dos Comboios. Uma construção do século XIX que encanta qualquer visitante com a sua beleza. Outra das vantagens desta estação é a sua localização. Ao sairmos do edifício encontramo-nos no coração da cidade e, sem termos de nos deslocar, podemos logo visitar o Jardim Zoológico, o Aquário ou o conhecido Museu dos Diamantes.
A Meir (rua do comércio), a Catedral de Nossa Senhora, o largo da Câmara Municipal com a estátua do Bravo e o castelo “Steen” (em holandês “Pedra”) são também pontos históricos de referência. Por outro lado, podemos também visitar o famoso Museu da Moda, o Museu de Plantin (sobre a imprensa), a Casa do famoso pintor Rubens, o Museu das Belas Artes e o mais recente “Museum aan de Stroom” (Museu perto da maré), mais conhecido por MAS. Numa tentativa de promover a cultura entre os jovens, estes pagam apenas um preço simbólico de entrada, normalmente de 1€, mediante a apresentação do cartão de estudante.
Estas atracções que a cidade oferece agradam a todas as faixas etárias. Mas Antuérpia, como cidade universitária, oferece também várias atracções direccionadas para a população juvenil. Para além dos vários bares e das festas organizadas pelos diferentes núcleos de estudantes que existem pela cidade, esta organiza também vários festivais de música. O Summer Festival, o Laundry Day e o Studay são os nomes que todos os anos chamam à cidade centenas de jovens amantes de música. Para além disso, o Sportpaleis e o Lotto Arena, duas casas de espectáculos, oferecem também diversos concertos durante o ano. No que toca à prática de desporto, os estudantes podem adquirir o Sportsticker que lhes permite praticar várias modalidades desportivas por um preço bastante reduzido.
Para além da diversão que podemos encontrar em Antuérpia, a cidade também se preocupa com o interesse dos jovens. Segundo Els Van Effelterre, membro da coordenação da equipa promotora de eventos de Antuérpia – Capital Europeia da Juventude, “a cidade tem uma política juvenil bastante forte. Tentamos envolver os jovens na política e nas decisões que têm de ser tomadas”. Foi com base neste princípio, e devido à vasta população juvenil (cerca de um terço da população), que Antuérpia se candidatou ao título de Capital Europeia da Juventude 2011. Esta iniciativa foi a responsável pela organização de diversos eventos com vários temas. “A participação dos jovens nesta candidatura encantou os júris”, afirma Els acrescentando que “temos consciência que a cidade tem alguns problemas, como qualquer grande cidade, mas, no geral, é uma boa cidade para se crescer”.
Para um bom crescimento é necessário um bom sistema educativo. Neste aspecto, Antuérpia também não falha. As várias instituições de ensino superior oferecem um vasto conjunto de cursos. Mas o futuro profissional dos estudantes também é uma prioridade. Segundo Zöe Almond, estudante de ciências da comunicação, a Universidade de Antuérpia “esforça-se por colocar os estudantes no mundo do trabalho. Todos os anos organiza uma feira onde apresentam oportunidades de trabalho”. A universidade participa também no projecto Erasmus recebendo, todos os anos, centenas de estudantes de outros países que vêem na cidade uma oportunidade de conhecer uma cultura diferente. Para esses aventureiros, existe o Exchange System Network (ESN). Este grupo, constituído por estudantes, organiza várias actividades que, para Nuno Castro Almeida, “foram uma excelente ajuda na integração na cidade e no próprio ambiente académico”.
Mas Antuérpia é muito mais que uma cidade universitária. Vários imigrantes chegam à cidade em busca de um futuro melhor. Foi essa procura que trouxe à cidade Patrícia Conceição e o namorado, Paulo Oliveira. Para Patrícia, uma jovem enfermeira, escolher a cidade de Antuérpia não foi difícil. “Vim por já ter uma amiga a trabalhar cá” afirma, sem deixar de mencionar as oportunidades de emprego que a cidade oferece na sua área. Já Paulo veio “ao sabor do vento”. Com o mestrado em engenharia mecânica recentemente
concluído, Paulo aproveitou esta oportunidade para procurar emprego uma vez que “em Portugal não é a melhor altura”, explica.
Para estes jovens, Antuérpia tem um programa de integração. O Inburgering é uma organização do município que oferece a todos os recém-chegados um conjunto de cursos. “A cidade tem um bom sistema de integração. Inicialmente fazemos o curso básico da língua [Neerlandês], mas há mais cursos disponíveis dependendo da língua materna”, elucida Paulo. Mas, por vezes, o sistema não funciona muito bem. Stefan Wels, estudante de Erasmus, queixa-se do tempo que teve de esperar para receber o seu cartão de identificação belga. “Estive mais de meio ano à espera do cartão. Sinceramente, não creio que a cidade seja tão bem organizada como quer parecer” explica.
Antuérpia é também constituída por pequenos municípios independentes situados à volta da zona central da cidade. Para além dessa divisão, é também visível uma separação dos diferentes bairros pelas várias comunidades. “Antuérpia é uma grande cidade onde muitos mundos se encontram”. É assim que a descreve Pieter-Jan Bunkens. Para os que vêm de fora a opinião é geral: a população local é vista como fria e distante. “Os cidadãos não gostam de dar confiança ou mostrar simpatia a quem não conhecem” diz Patrícia. Nuno também tem a mesma opinião, explicando que, após ganharem confiança, estes se tornam mais afáveis. “É necessário focar que a maioria das pessoas fala inglês, o que me ajudou imenso como estudante de Erasmus” acrescenta. Já Stefan tem uma opinião bastante negativa. “São pessoas bastante superficiais, preocupam-se apenas com a sua imagem” afirma.
Para quem visita, a cidade fica na memória, para quem nela vive ou viveu, a cidade é como uma segunda casa. As opiniões são bastante positivas: para Nuno é “uma cidade que marca, que pode mudar uma vida”. Já Pieter-Jan afirma que quanto mais vive nela mais a adora.
No geral, Antuérpia é uma óptima oportunidade para os jovens que procuram apenas visitar a cidade ou para os que procuram seguir um sonho.